quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Voto obrigatório e infidelidade partidária


Recebi o texto abaixo do amigo e jornalista Pedro Paulo Barbosa, lá de Floresta do Araguaia. Publico-o na íntegra e peço desculpas ao Pedro pelo atraso. O blog andou meio lento na virada do ano, por causa da agenda cheia que me impediu de atualizá-lo.


"CONTRA O VOTO OBRIGATÓRIO E A INFIDELIDADE PARTIDÁRIA !!

Há duas grandes falhas na democracia brasileira – a primeira: o voto obrigatório, que é a meu ver, algo que torna a democracia fraca e de má qualidade, ajuda a eleger corruptos reincidentes e mantém os demagogos no poder. Tenho certeza que o voto facultativo, onde vota quem quer, trará qualidade ao processo de escolha de representantes, que serão mais sérios; em suma, o voto facultativo ajuda, e muito, a eliminar o eleitor irresponsável, pois o eleitor irresponsável é o que é obrigado a votar.

Segunda falha - a infidelidade partidária: tem que haver uma reforma política realmente séria que assegure um processo mínimo de confiança partidária, de seriedade. Hoje ainda se usa um partido para se eleger e depois numa manobra, se consegue mudar de partido. Essa infidelidade partidária que existe no Brasil é a principal fonte de nepotismo; porque as bases partidárias são fragilizadas pelo sistema e está assentada nos clãs familiares. Formam-se então partidos sem valor, sem ideologias, a maioria deles sem lealdade interna e com um estatuto que ninguém segue.

Em nossa cidade de Floresta, tivemos este ano a eleição do Conselho Tutelar, a Justiça Eleitoral da Comarca nos forneceu as urnas e as cabines eleitorais, os candidatos a conselheiro tinham que ter ensino médio completo e entender do ECA, passaram por um teste rigoroso e por fim, apenas 15 candidatos disputaram as cinco vagas; eu acompanhei o processo junto com o advogado Dr. Ivo Pinto e o Prof. Clebe (Presidente do CMDCA) esperávamos uma votação maciça, porém menos da metade do eleitorado esperado foi o que votou, deu menos votos que a eleição anterior, foi aparentemente frustrante; mas o resultado da eleição foi maravilhoso, os poucos eleitores que votaram “v o l u n t r i a m e n t e” , votaram bem votado.

Então meditei, __há se fosse assim também na política oficial! Dificilmente se escolhe maus conselheiros tutelares, e uma das razões para isso, é justamente o voto facultativo, mesmo que apenas votem 30% dos eleitores, pois a faixa maior de eleitores irresponsáveis e vendilhões de votos está inserida nos que não querem votar e são obrigados a isso. Na maioria das grandes e boas democracias do mundo, não existe o voto obrigatório. O voto obrigatório é o grande atraso de nossa democracia, quanto a fidelidade partidária, houve algum avanço neste ponto como a perda do mandato para quem mudar de partido depois de eleito, cláusula que muitos políticos corruptos tentam burlar ou mesmo derrubar; mas ainda não existe fidelidade partidária no Brasil.

O mal da infidelidade partidária é que ela prejudica a confiança do eleitor voluntário, do que votou conscientemente, imagine eu votar num sujeito e num programa partidário e o sem-vergonha do político que eu elegi, logo ao assumir o cargo, mudar de partido, trocar de ideologia e de programa!?!, Isso é um crime eleitoral, uma safadeza, salvo raras exceções numa briga partidária, ou numa expulsão injusta.

Muitos políticos corruptos têm voltado ao poder não por conta da impunidade, pois nunca foi fácil prender quem tem dinheiro e influencia entre autoridades, o problema é que infelizmente temos eleitores também corruptos, adeptos do lema: “rouba, mas faz”, Maluf voltou ao poder assim e tantos outros ainda vão ser eleitos pelo eleitor “memória Curta”, e repito, esse tipo de eleitor está em sua maior parte entre os que são obrigados a votar, não tendo prazer no voto, pra ele votar é um peso, é como o traficante que vende a droga porque sempre tem alguém que compra. Então não adianta a imprensa denunciar, Arruda, por exemplo é reincidente, voltou ao poder e tantos outros vão voltar; o voto obrigatório é uma verdadeira praga.

Tenho certeza que além do fim da impunidade aos corruptos, se os eleitores e eleitos fossem leais e fiéis a seus respectivos partidos, como são fiéis a seus clubes esportivos e eleitores não fossem obrigados a votar, no Brasil o processo político e a administração publica seriam bem melhores e bem mais responsáveis, pois o voto livre, sem constrangimentos, geralmente é de eleitores conscientes, mas parece que não é isso que a maioria dos políticos quer."


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